O SÍMBOLO VISUAL DO CICE
 

É o ex libris (marca tipográfica) do alquimista Jérôme Marneuf (Paris, 1557) que consiste num grifo, fabuloso animal alado e híbrido com cabeça de águia e garras de leão, que representa a conjugação do elemento aéreo da Razão em sua expressão heróica como ave de rapina e do elemento ctônico da Sensibilidade em sua expressão dionisíaca, como aparece com freqüência nas representações de Cibele, a mãe-ancestral mediterrânea, cujo epíteto é o leão. 

O terceiro elemento hermesiano que dá unicidade ao símbolo é o fato de ele sustentar, por uma alça, o pesado bloco quadrático de pedra (expressão do real) que, por sua vez, é sustentado pelo globo feérico e alado de Hermes (expressão do Imaginário), configurando uma estrutura mandaliana. Na tradição alquímica hermesiana o objetivo da Grande Obra é encontrar a pedra filosofal, chave interpretativa do mundo e de si mesmo, para a "conversão dos elementos". Este processo era obtido com o uso do mercúrio para decantar as impurezas do metal, sublimando-se a sua forma perfeita. Assim, esse grifo representa a máxima latina fac fixum volatile, isto é, "fixar o volátil": seja no sentido de espiritualizar o corpo, como no sentido recursivo de corporificar o espírito. 

Tais elementos apontam para o trabalho investigativo do CICE , ao tentar conciliar a Razão e a Sensibilidade, numa razão sensível, através das pesquisas sobre o Imaginário e sua organização do real, bem como sobre suas relações poiéticas com o mundo da Cultura e da Educação. 
 
 

BIBLIOGRAFIA: 

FERREIRA SANTOS, Marcos. Práticas Crepusculares: Mytho, Ciência & Educação no Instituto Butantan um estudo de caso em Antropologia Filosófica. São Paulo: FEUSP, Tese de doutoramento, ilustr., 1998, vol. I, pp. 48, 59 e 89. 

ROGER, Bernard. Descobrindo a Alquimia: A arte de Hermes através dos contos, das lendas, da história. São Paulo: Círculo do Livro, 1991, p.89.